Apresentação (ou: para não fugir do clichê)

by F. Pergher

Como em todo e qualquer diário virtual das mais diversas espécies, se faz necessária aqui uma apresentação, ou pelo menos saudação formal.

E como toda e qualquer inauguração que se preze, alguns clichês devem ser manifestos aqui. Provavelmente eu deveria escrever sobre como depois de manter a (tentativa de) escrita como uma forma de lazer secundária por uma porcentagem considerável de minha relativamente curta vida, decidi criar um espaço, um canto, um antro para publicar o resultado de minhas sessões particulares de diversão solitária.

Deveria também manifestar que minha vontade de escrever vai além da vontade de tornar a escrita parte importante de minha vida, ou de querer ganhar algo – nem que seja reconhecimento por uma centena de pessoas que em nada há de acrescer-me além de carícias a um orgulho praticamente inexistente – com isso. Pura bobagem.

Não poderia faltar também, uma apresentação breve. Que se torna irônica, sendo que procuro o anonimato – mas o estimado e raro leitor deve ter percebido um sutil desejo de ocultação por trás do minimalismo. Para cumprir o protocolo, dentro da proposta de manter-me “nas sombras”: Gosto de imaginar, mas essa parte também é clichê. Não se trata de criar, concretizar, ou mesmo inventar algo. Apenas imaginar. Leio desde que me conheço por gente, então a escrita é o caminho mais intuitivo para dar vazão a isso. E desde que descobri esse desejo, tudo que me é posto à frente acaba tornando-se insumo para minhas histórias (contos? devaneios? textos?). Talvez por isso tenha alguma dificuldade em separar as coisas. Há um pouco de mim em meus personagens, e um pouco de cada personagem em mim. Egocentrismo? Tenho minhas dúvidas. Em hipóteses, talvez um desejo oculto de valorizar-me a ponto de ser egocêntrico. Mas essa parte também é clichê.

Uma vez me disseram que sonhar alto e pensar positivo são qualidades importantes. Pois bem, digo então minhas intenções: Quero que o que escrevo seja visto, quero receber opiniões que vão além daquelas das poucas pessoas em quem confio o suficiente para insistir constantemente que leiam meus escritos. Quero críticas construtivas e boas referências, para que, honestamente, eu possa colher frutos materiais e espirituais daquilo que estimo imensamente como forma de diversão, passatempo e reflexão. Mas essa parte também não passa de um lugar-comum: afinal, todos secretamente desejam ser reconhecidos naquilo que fazem com gosto.

E com esse prolongado texto desavergonhadamente auto-centrado, encerro uma apresentação improvisada e inauguro as atividades desse espaço. Desse recinto. Desse antro por demasiado pretensioso.

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