Escrito II – Parte 4

by F. Pergher

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“E por que você acha que nada que fizer não poderá, eventualmente, acabar por mudar o mundo?”

“Olhe ao seu redor, Luís. Existem benfeitores, mas para cada um deles, existem dez pessoas que só querem o mal. De que me adianta ajudar um velhinho a atravessar a rua, se nove outras pessoas desdenharão da ajuda que outro velho precisa?”

A conversa tomava um rumo que ele em muito aprovava.

“Mas para aquela pessoa, você terá feito a diferença.”

“E de que adianta saber que faço um feliz, quando no mundo inteiro existem outros milhões que não serão felizes nem por um momento?”

“Pelo menos você dormirá tranquilo, sabendo que fez sua parte. E assim, conseguirá a felicidade da qual tanto precisa. Chegará à noite, e você vai dormir tranquilo, pois sabe que fez o melhor que pôde durante o dia.”

“Mas de que valem meu sossego e minha felicidade, enquanto tantos outros são infelizes?”

“O que quer dizer, meu amigo? Ser feliz é o que importa nessa vida!”

“Não, esse é um pensamento egoísta. Minha felicidade é a felicidade de uma dentre as sete bilhões de pessoas desse mundo. De uma pessoa que se passar a vida toda feliz, passará apenas setenta dos mais de dez mil anos de humanidade. Isso não significa nada para o mundo.”

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