História curta e despretensiosa.

by F. Pergher

De todo o movimento que concentrava-se à sua frente, sentia-se quilômetros abaixo. Mesmo aquele movimento sendo uma mera amalgamação luminosa que vinha dos caminhões – de seus vultos, apenas eram distinguíveis os faróis – e alguns eventuais carros que aí paravam. Definitivamente não era a auto estrada mais movimentada, ainda mais naquele trecho, que não passava de um desvio da estrada principal, cercado por uma densa vegetação.

Olhou para cima, já um pouco ansioso. Aquele seu esconderijo lhe era oportuno, assim como o terreno daquela construção, para onde escoava o movimento. Leu a placa que continha o nome do lugar mais uma vez: “À Luz Da Lua”. As vogais soavam de um jeito que deixava-o desconfortável, mas provavelmente tal sentimento provinha da combinação de tudo que o cercava.

Estava em um pequeno valo, razoavelmente limpo, considerando as possíveis funções de um, perto de um estabelecimento inundado de luzes de neon alaranjadas. Cercavam-na árvores frondosas de uma floresta tropical, e por detrás da fachada, erguia-se um íngreme rochedo. Da estrada, tinha-se a impressão de que o lugar era tão simplesmente um buraco luminoso na rocha. Pouco se ouvia além do insistente canto de grilos e cigarras, e o já distante ronco dos motores na estrada. No estacionamento em frente à fachada, via-se um grande número de caminhões, justificável pelo calibre da construção.

Provavelmente a maioria dos motoristas que aí paravam buscavam apenas revigorar-se, seja no descanso, seja nos prazeres. O fato de ter sido construído numa via remota em relação à autobahn deixava claro o que se passava aí dentro. O homem, que por sua vez começava a ficar apreensivo, tinha motivos mais nobres para estar aí. Talvez não fossem eles tão nobres quanto justificáveis, mas de qualquer maneira, sabia que o que o levara a rastejar naquele fosso e esperar tão pacientemente quanto possível a chegada do táxi (“um carro arredondado e vermelho, número 588”, segundo a descrição da moça que estava a caminho) era, no mínimo, mais sério do que simplesmente pousar até o fim da noite.

 

Historinha curtinha que eu estou me demorando em terminar, e que talvez postando a primeira parte dela isso melhore. Talvez.

Nota para a posterioridade: Não tenho escrito muito nas últimas semanas, mudando frequentemente de ambientes. Talvez postando menos do que deveria, considerando o que tenho escrito, mas isso vai mudar (espero) antes de acabar meu estoque-de-histórias-escritas.

Prometo ser um bom menino e escrever mais de agora em diante. Regularidade de posts atingida por três semanas consecutivas.

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