Escrito III – Parte 3

by F. Pergher

Parte 1 . Parte 2 .

Depois da minha primeira interação com aquele pessoal um tanto… eu gostaria de completar a frase com a palavra “estranho”, mas infelizmente eles eram normais. Tão normais quanto todos os outros. Pelo menos eu já tinha alguém pra ocupar minha cabeça agora, isso garantia que eu não sentiria tédio por umas boas duas ou três semanas.
Eu estava ainda imerso nos livros didáticos, dos quais por enquanto só me interessavam futilidades como o plano de cada disciplina da escola e os índices de conteúdos que seriam abordados durante o ano. Aí meu celular tocou.
Era um dos garotos que também estavam jogando videogame na casa do outro, no dia anterior. Atendi, demonstrando como sua presença me dava tédio pelo tom de voz. Ele mal esperou para começar a falar:

– E aí cara, hoje a gente vai dar uma volta, você vem? A Suze vai estar lá também.

Eu deduzi que Suze era o nome da menina do sutiã maior que o necessário pela risadinha que ele deixou escapar depois de mencionar ela na conversa. Não tinha muito a perder, então aceitei o convite. De qualquer jeito, eu não tinha o que fazer naquela noite, então saí e encontrei eles no lugar marcado. Era uma pracinha que ficava numa parte da cidade que eu mal conhecia. Quase na estrada que levava para fora dela, havia um fluxo contínuo de veículos, principalmente caminhões. A pracinha em si não era muito interessante, ainda mais naquele anoitecer monótono de fim de verão.

Quando eu cheguei lá, tinha só um dos meninos,Luan, talvez ele se chamasse. Pela voz, pude perceber que era o mesmo que havia me convidado mais cedo, e logo que me viu, me chamou para sentar do lado dele, e começou uma conversa unilateral. Eu pouco pensava no que ele me dizia, estava um pouco apreensivo sabendo que logo a menina estaria aí. E não demorou muito para que ela chegasse, depois que todos os outros estavam por lá. Me cumprimentou discretamente, debaixo dos olhos curiosos de todos os outros expectadores.

Saímos andando em grupo, sob a premissa de conseguirmos alguma porcaria qualquer para comer, em um posto de gasolina que tinha aí perto. Quando passamos por um canto mal iluminado da pracinha, percebi que ela começou a andar mais devagar, enquanto o resto do pessoal caminhava no mesmo ritmo. Procurei me manter próximo a ela, e por favor, eu sabia da intenção dela antes das descargas de adrenalina.

Não queria cortar o clima de “ser beijado repetidamente”, mas eu achei que seria pertinente que ao menos ela soubesse com quem potencialmente se envolveria. Por sorte, não fui eu quem precisou entrar no infeliz assunto.

– Outro dia, enquanto a gente jogava videogame. Você tinha algo pra dizer?

– Eu… tinha. – Eu não queria mais esconder, seria bom se tão somente uma pessoa soubesse, mesmo não acreditando. – É que tem algo estranho comigo, toda a vez que alguma coisa me sobressalta, eu tenho tipo uns desmaios e…

– …consegue ver coisas indesejáveis, e com um pouco de esforço até mesmo mudar elas. Eu só acredito vendo.

E ela saiu do meu lado, e foi em direção à rodovia. Eu a via se afastando de mim, e começaram a passar pela minha cabeça ideias sobre como ela sabia sobre mim, e o que ela pretendia com isso. Não costumava me alertar por coisas assim com facilidade, mas somando isso ao fato de que ela estava quase chegando à estrada, onde o fluxo de carros era contínuo e irrefreável, não precisei de mais nada para que meu corpo enfraquecesse e finalmente as alucinações começassem.

Importante ressaltar que cheguei na marca dos 20 posts. Como um projeto para o ano de 2014, esse blog está saíndo melhor que a encomenda.

Já disse o quanto não gosto dessa história, me apressei em terminar ela, e dê no que dê.  Não penso do jeito que pensava quando comecei, então a empolgação em escrever/revisar ela está pior impossível. Mas isso provavelmente é só uma desculpa.
Um amigo leu esse texto antes de ser publicado, e fez críticas bastante pontuais, construtivíssimas e que com certeza serão levadas em consideração. A partir do próximo texto, é claro. Meu não apreço por esse em especial me impede de continuar investindo nele.

No mais, espero mais uns 20 posts pelo menos, antes de enjoar da ideia do blog. Mentira, já mantive posts regulares por quatro semanas,
consigo fazer isso por mais quatro anos. Ou quarenta. Mesmo não escrevendo tanto, a regularidade do blog é um compromisso que é inevitavelmente lembrado durante a semana inteira, e isso acaba me deixando inquieto quando não consigo escrever. Considero isso bom.

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