Escrito IV – Parte 2

by F. Pergher

Parte 1 .

Ainda pensava sobre como havia acabado naquela situação, sua solidão transformada em melancolia conforme o momento se aproximava, quando o táxi apareceu. Mal suas luzes diluíram-se no escuro da garagem, o homem saiu do valo. Caminhou decidido em direção à porta principal, com passos tão firmes quanto os sapatos de salto alto e bico fino lhe permitiam.

Entrou sem maiores problemas. Provavelmente quem trabalhava na recepção do lugar estava acostumado com a entrada de mulheres bem vestidas e maquiadas. Mulheres como ele não era, mas passara-se muito bem por uma até então. Abriu a bolsa, e do meio de algumas seringas e uma pequena arma de choque, tirou um pedaço de papel. Parou em frente a um dos quartos, e bateu à porta.

Identificou-se, quando indagado, com o nome que estava escrito ao lado do número do quarto, em sua anotação. A porta foi-lhe prontamente aberta e rapidamente fechada atrás dele. Suspirou profundamente antes de tirar da bolsa a arma de choque, para a surpresa do peculiar casal que estava lá, e acertar o estômago do robusto homem. A queda foi instantânea, e ele aplicou uma das seringas na barriga do homem. Quando os espasmos elétricos passassem, ele estaria em um sono profundo.

Sua cônjuge, que parecia não ter completo quinze anos ainda, olhava assustada a figura que entrava no quarto. Provavelmente não entendia o que ele fazia, ou mesmo quem era. Ele provavelmente havia saído de seu disfarce na hora da ação, nunca fora uma pessoa tranquila. E com um pouco de receio – talvez a dosagem fosse muito alta para uma criança – aplicou outra injeção na garota. Seminua, sem ter para onde correr, provavelmente aterrorizada pela segunda vez na mesma noite, ela sequer resistiu.

Ele sentia-se triste. Amaldiçoava constantemente quem o fazia passar por aquele tipo de agonia. Sabia que se a dose de anestésico ou a potência do choque fossem altas demais para algum de seus alvos, jamais se perdoaria. Saiu do quarto, esperando que ninguém suspeitasse de sua movimentação, e entrou no próximo de sua lista. O homem já dormia, foi fácil. A mulher que antes abriu-lhe a porta gritou histericamente, foi preciso paralisá-la para então aplicar a injeção.

Segunda parte da historinha curta e despretensiosa. Estou começando a gostar dela, espero que tenha alguma melhora em relação aos outros textos. E vai ser o último post de hoje, regularidade mantida por enquanto.

E hoje, tanto quanto escrevi, postei. Praticamente o mesmo número de palavras. Agora é pra conseguir manter esse ritmo diariamente. (PS: esse post abre a fase do blog em que eu ~finalmente~ tenho três páginas. Daqui a pouco tempo, já vou poder levar a mim mesmo a sério.)

Nota mental: Parar de supervalorizar pequenos méritos.

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