Escrito I – Parte 9

by F. Pergher

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Fui conduzido até atrás de um desses biombos que você vê em qualquer escritório pobre, e o policial baixou seu tom de voz: “Escuta, isso é contra todas as leis da minha profissão, mas eu sinto um pouco de alívio quando encontro pessoas como você, que dão a esses malditos o que merecem” – eu distinguia certos traços de sadismo em seu olhar, esse homem tinha grandes chances de ser o responsável por interrogatórios – “e como esses bandidos já acabaram com sua grana, quero que você aceite isso. Pelo incômodo”. Entregou-me um maço de dez cédulas, que eu nem me dei ao trabalho de recusar por educação, e um cartão de visitas pouco enfeitado.

“Se algo mais estiver a meu alcance, não precisa ter vergonha de pedir”. Agradeci, sorrindo sem graça, e saí daquele ambiente que já saturava minha paciência. O rapaz veio logo em seguida, como eu já imaginava que fosse acontecer. Já estava planejando uma forma de iniciar uma conversa , virtude que eu havia perdido quase totalmente, mas não foi necessário.

“Pode me chamar de Hermes. Você provavelmente tá se perguntando agora como eu pude repetir a mesma coisa que você falou, sendo que não vi a cena, e nem conversamos sobre isso antes. Isso se chama espionagem, meu caro. Quando você deu as costas para mim, mais cedo, implantei um desses pontos de escuta que achei no lixo eletrônico de uma delegacia, e a partir daí consegui rastrear você e ouvir tudo o que você disse lá dentro. Maravilhas da tecnologia moderna. Já te disse o porque de estar interessado em você, agora é sua vez de responder minhas perguntas. Eu sei que você não disse a verdade pra ele. O que aconteceu naquela noite?”

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