Escrito IV – Parte 3

by F. Pergher

Parte 1 . Parte 2 .

Próximo quarto. Ao cair da ruborizada moça, seu companheiro tentou enfrentá-lo. Quebrara um dos sapatos e seu cabelo foi chamuscado na briga, mas nenhum homem nu e desarmado podia resistir às altas voltagens disparadas por ele. Livrou-se do outro sapato e continuou andando, seu coração acelerado pelo esforço físico. No quarto seguinte, quem enfrentou-o, provavelmente por puro instinto, foi a alta morena de cabelos negros. Demonstrou por seu despreparo ter apenas tamanho, também não devia ter idade para estar em um lugar daqueles. O homem, baixinho e rechonchudo, quase entalou na janela tentando fugir, mas conseguiu passar por ela. Amaldiçoou-se por isso, sabendo que do estacionamento ele não sairia vivo.

Entrou no penúltimo quarto usando um cartão magnético adulterado, não tendo obtido resposta ao bater na porta. Esse era diferente dos outros, que possuíam tão pouco quanto uma cama e uma cômoda, e eram pintados de um tom uniforme de verde. Aquele quarto, além de mais espaçoso, tinha uma penteadeira, espelhos espalhados por todas as paredes, uma banheira em um dos quatro cantos, e era decorado com um papel de parede azul marinho. A mulher, a mais velha até então, já aparentando trinta anos de idade, sobressaltou-se ao perceber sua presença, mas o garoto a seu lado já tinha nas veias o conteúdo da seringa. Ela mal pôde se levantar antes de receber sua dose. Ele abafou seu grito com uma das mãos, e ao sentir o fim da resistência do corpo da mulher, aconchegou a cabeça inerte dela no travesseiro.

Haviam ouvido o grito. Ao sair do quarto, dois homens bem vestidos e aparentemente armados corriam em sua direção. Tirou de baixo do vestido um revólver de fraco calibre, e disparou duas vezes. Um dos homens caiu com um tiro no joelho, e o outro, quase na altura do abdômen. Desejou profundamente que nenhum dos dois perdesse a vida por isso, e reforçou as maldições contra quem estaria no último quarto.

Advertisements