Escrito IV – Parte 4

by F. Pergher

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Já era tarde para querer terminar sua missão discretamente. Ele só esperava não ter que matar alguém. Sentia-se mal o suficiente por saber ao que estavam destinados aqueles que já haviam sido adormecidos por ele, não precisava de mais essa carga em sua consciência. Ia em direção ao último quarto quando ouviu passos enérgicos atrás de si. Virou-se, sua fisionomia demonstrando por debaixo da maquiagem o quanto aquela empreitada esgotava-o.

Teve vontade de render-se naquele momento, mas imaginava quais eram as possíveis consequências depois. Sua contratante sabia de suas capacidades, portanto sabia que ele ser ou não preso dependia apenas da própria vontade. Sair pacificamente de sua situação estava fora de seu alcance, e por isso, nem cogitou obedecer às palavras daquele à sua frente.

– Ajoelhada, moça, e põe as mãos no alto da cabeça.
– Você está enganado, oficial – disse na voz mais grossa que conseguiu projetar – não sou nenhuma moça.

O breve momento de confusão do agente deu-lhe tempo de sobra. Tirou debaixo do forro de seu vestido uma pistola de vacinação e avançou na direção do homem que o enfrentava. O policial conseguiu puxar sua arma, mas antes de fazer uso dela já estava no chão, com uma dose de tranquilizante suficiente para acalmar um urso em suas veias.

Olhava o homem que jazia à sua frente, buscando sinais de que estivesse vivo, quando ouviu o cristalino som de vidro quebrando. Entravam pela claraboia do motel quinze militares, todos muito bem equipados. Desciam através de cordas, e ele mal teve tempo de carregar sua seringa antes que o primeiro homem chegasse a pisar no carpete bordô da recepção.

Havia pelo menos três armas apontadas para ele. A ideia era capturarem-no vivo, para que pudessem obter as respostas que tanto queriam, mas ele sabia que não hesitariam em atirar se fosse necessário. Ajoelhou-se ao chão, o corpo do homem que ele havia derrubado ainda deitado à sua frente. Apesar do tumulto que precedera a cena, o silêncio agora era tal que ele conseguia ouvir a respiração tranquila do agente adormecido. Acalmou seus ânimos, ninguém tinha morrido ainda.

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