Escrito IV – Parte 5

by F. Pergher

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Um dos agentes que estava mais para trás da formação que o intimidava caiu no chão. A poça de seu sangue logo foi complementada com o sangue de mais três agentes, que tombaram em sequência. Não entendia a situação, mas não perdeu tempo. Assim que os homens que o mantinham intimidado viraram-se procurando a causa da queda dos soldados, ele ajuntou o corpo do policial do chão e segurou-o à sua frente.

Foi avançando tão rápido quanto podia com seu escudo humano, e ao chegar perto da formação, vacinou a perna do primeiro dos homens. Assim que o segundo percebeu o que havia acontecido, investiu contra ele. Foi recebido pelo escudo humano, que o desestabilizou mais do que suas vestes blindadas já faziam, e o fez cair no chão. O terceiro caiu com um tiro no fêmur, que tornou o peso do fuzil excessivo para seu corpo.

Restavam duas pessoas de pé no grande hall de entrada. Na saída do corredor leste, a ala convencional do motel, estava o homem travestido, descalço e com suas roupas e cabelo desgrenhados. Ele ofegava com a seringa na mão esquerda e o revólver na direita. Vinda do corredor oeste, que penetrava na rocha ao lado da qual o salão fora construído e era estilizado como uma caverna à meia luz, emergia uma figura feminina.

Aparentava, por sua postura e seu semblante, estar mais relaxada do que o homem. Vestia um vestido azul claro que mais parecia uma camisola e chinelos de pano. Apertava os olhos como se ainda não tivesse se adaptado à iluminação escandalosa do salão. Andou na direção dele.

– Seis a doze. Acho que eu ganhei de novo.
– Você botou todos os doze pra dormir?
– Isso é uma pistola de agulhas, não uma seringa de vacinar boi. – ele olhou, visivelmente insultado, para a seringa de sua mão. – Aliás, eu achei que ia te encontrar no último quarto daquele corredor, descansando e tomando alguma coisa, não na metade do caminho acuado por esse bando de cachorros mansos.

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