Escrito IV – Parte 6

by F. Pergher

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– O cara do quarto 103 fez barulho demais, eu não tive culpa.
– Ele não teria feito tanto barulho se teu serviço tivesse sido bem feito! – ela levantou a voz.
– Mas ele tá dormindo agora, eu fiz o que precisava.
– Não sei porque você tem pena dessas pessoas. São aliciadores. Imagina se fosse tua filha no lugar daquelas crianças.
– A denúncia já foi feita, a polícia vai chegar aqui e encontrar os caras dormindo com as crianças, que incrivelmente são crianças desaparecidas. Eles vão ter o que merecem, cedo ou tarde.

Um movimento em meio aos corpos do chão voltou o olhar dos dois até o homem que tinha sido anteriormente nocauteado pelo escudo humano. Ele agora penava para erguer-se, sob seu colete blindado e ainda com seu senso de direção confuso pela batida na cabeça.

– Ah, então você tá vivo – disse a moça, como quem já esperava. Apontou a arma para o agente que se levantava, e voltou a cabeça a seu comparsa – eu pensei que você tivesse feito o serviço direito.

O agente se levantava, apoiado em sua arma. Aparentava ainda estar atordoado.

– Fiquem parados… reforços estão chegando… larguem as armas!

A moça suspirou.

– Você não consegue matar nem pra salvar tua vida. Não fosse por isso, tua carreira seria tão promissora… – voltou o olhar para a mira de sua peculiar arma e disparou. O tiro acertou em cheio o pescoço do agente, que em um segundo perdeu o equilíbrio que havia recuperado à custa de muito tempo. – Cinco a treze, então?

– Tanto faz, temos que sair daqui. Você ouviu ele, reforços tão pra chegar.

Não sem antes dirigir um olhar feroz ao recepcionista do motel, que havia se refugiado atrás da cadeira ao ouvir o primeiro tiro, a mulher seguiu seu companheiro em direção à garagem. Nenhum dos dois se preocupava com o jovem de boa aparência e terno outrora perfeitamente alinhado. O motel recebia a ação de milícias a toda hora, seja por sua localização, seja pelo fluxo intenso de pessoas suspeitas por lá. Mesmo que ele denunciasse sua ação, os órgãos competentes tomariam por irrelevante. Já era banal.

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