Escrito I – Parte 14

by F. Pergher

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Não fosse minha grande expectativa para o que viria depois dela, aquela aula talvez tivesse passado muito mais rápido do que pareceu passar. De qualquer jeito, depois daquela manhã que apesar de maçante eu havia sentido que não me trouxera nada de muito produtivo, fui até a entrevista para o trabalho. A entrevista que eu já sabia ser mera formalidade, mas que ainda assim deixava-me nervoso.

Esperava na recepção da escola pela chegada do diretor, e tive um bom tempo para contemplar a decoração do lugar. Não era ridícula, o que era um bom motivo para mim continuar olhando-a. Os sofás, brancos com um ou outro detalhe vermelho – as cores do logotipo da instituição – combinavam com os banners com os nomes de alunos aprovados em faculdades de renome, ou qualquer coisa assim. Na minha frente estava, atrás de uma mesinha bagunçada, a mesma recepcionista que havia me inscrito no curso alguns dias atrás. Ela tinha um jornal na mão, e parecia absorta na leitura. Em certo momento, percebi que ela começou a esboçar um riso consigo mesma.

– Isso não pode ser verdade – ela murmurou entre risinhos. Permaneci em silêncio.

– “O responsável pela terceira Delegacia de Polícia, sr. Gilberto Soares, afirma que considera relevantes os recentes casos em que vítimas de crimes reagiram, e ressalta que qualquer vítima que agir em legítima defesa é amparada pela lei…”, não pode ser! – seu riso agora assumiu um tom quase de escárnio – dá pra entender o quanto isso é ridículo?

Ela dirigia o olhar para mim agora, e eu pude finalmente vê-la direito. Tinha cabelos que não eram muito escuros e pequenos olhos verdes, parecendo duas azeitonas sobre suas bochechas claras, rechonchudas e avermelhadas. Parecia ter interesse em continuar a conversa.

– Ridículo? As pessoas reagindo?

– Não, não mesmo. Ridículo é um policial mandando as pessoas reagirem. É tipo… se virem se protegendo aí, enquanto eventualmente eu faço meu trabalho – seu riso assumia um tom de deboche quase indisfarçável.

 

 

Oi. Mais atrasados que o normal hoje, porém firmes e fortes.

Para ser sincero comigo mesmo, não tenho produzido muito material postável. Por postável, leia-se com um ritmo de escrita estável o suficiente para que eu saiba que ele vai terminar. Final de semestre é complicado (apesar desse ser um clichê da vida acadêmica, é verdade).

Mas meus projetos, não só relativos à escrita tomam forma, mais e mais. Importante ressaltar.

Até semana que vem, meu caro blog.

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