Escrito I – Parte 15

by F. Pergher

Parte 1 . Parte 2 . Parte 3 . Parte 4 . Parte 5 . Parte 6 .
Parte 7 . Parte 8 . Parte 9 . Parte 10 . Parte 11 . Parte 12 . Parte 13 . Parte 14 .

– E que raio de policial agiria desse jeito? – eu estava realmente curioso. Ela acenou com a cabeça para que eu chegasse mais perto, para olhar o jornal, supus. Fui ao seu encontro.

– Esse aqui é o infame delegado Soares. E o que dói mais é que ele é meio que o responsável pela maior parte das decisões tomadas na área de segurança na cidade.

Reconheci, na foto, o policial que tinha entregado-me dinheiro dias antes na delegacia. A matéria sobre ele no jornal ocupava uma página inteira. Falta de pautas, provavelmente, já que aquela cidade era tão grande a ponto de qualquer coisa que fosse ser completamente banalizada.

– E como ele se tornou tão importante para a cidade, se é infame?

– Se eu sei? Todo mundo tá sabendo. Ele é o secretário municipal de segurança, mas antes já tinha sido eleito vereador. Ganhou as classes altas aqui da cidade com aquela coisa manjada de que bandido bom é bandido morto, e depois que conseguiu a reputação entre esse pessoal, abriu caminho até os cargos altos da própria prefeitura.

As coisas por aqui não eram tão diferentes do que eu estava acostumado na minha antiga cidade, percebi.

– E por que você odeia ele tanto assim?

– Porque ele é miserável. Só isso. Tem boatos de que ele estava envolvido com políticos antissemitas, e ele já atuou como interrogador… bom, como torturador no passado. E o pior de tudo é que quando você olha pra ele fora de serviço, ele é o senhor mais respeitável desse mundo. Assassino, isso sim ele é.

Eu realmente queria passar mais tempo conversando com ela, mas o diretor chegou para a entrevista. Mandou que eu o seguisse, então me despedi da moça com um aceno. Ela sorriu de volta e ainda disse, antes de eu sumir para dentro da agradável saleta climatizada do diretor:

– Aparece mais cedo amanhã, pra gente conversar!

Advertisements