Escrito I – Parte 17

by F. Pergher

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Andava pela rua, voltando para minha casa, na sexta feira da mesma semana. O final de semana anterior já havia sido satisfatório, então imaginava o quão satisfatório seria esse próximo, no qual eu efetivamente estaria cansado o suficiente para descansar de fato.

Pensava sobre a rapidez dos meus dias, pensava muito no salário que eu voltaria a receber, pensava moderadamente em Marcela, e quase não pensava em como minhas úlceras não haviam mais me incomodado, quando, sem muita consciência dos meus passos, acabei passando na mesma rua onde fui assaltado algum tempo antes. Como da última vez.

Quando percebi o engano, dei meia volta para retornar ao caminho que me levaria para casa. Antes de sair do beco, porém, dois previsíveis vultos bloquearam minha dianteira. Havia pensado que a detenção, abusos policiais, algumas possíveis noites na cadeia ou pelo menos a surra que haviam levado possivelmente acalmariam os ânimos dos dois camaradas, mas eles provaram não ser do tipo que aprende.

E dessa vez, eles haviam conseguido um arsenal novo, pelo menos mais eficaz. O baixinho, ainda com um hematoma visível na testa, dessa vez carregava pelo pescoço uma garrafa quebrada pouco acima do fundo. Já o grandão e seu toco de orelha direita levavam uma faca de abrir trilhas, com uma lâmina reluzente de uns setenta centímetros. Do jeito que estavam vestidos, pareciam boia frias voltando de um dia de trabalho pesado no canavial.

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