Escrito I – Parte 18 (final)

by F. Pergher

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Depois de uma estressante semana de trabalho eu só queria voltar pra minha casa, então pulei qualquer cerimônia. Coloquei minha mão no peito da camiseta que eu usava, e tirei dela um revólver. Se não serve pra fazer boa música, pelo menos o Guns n’Roses é bom para auto defesa. Apontei na direção dos dois. Pude vê-los estremecer.

– Vai com calma, mano, nós só quer conversar!
– Com uma faca desse tamanho na mão. Eu também, só quero conversar.

Provavelmente eles não esperavam, e por isso não avançaram sobre mim quando baixei a arma e comecei a andar até eles.

– Eu acho que causei um transtorno desgraçado pra vocês. Me desculpem. – estendi a palma de minha mão para eles, com o revólver em cima e totalmente aberta.
– Tu tá dando um revólvi pra gente?

Achei que eles não entenderiam a minha cordialidade, então me expressei em termos mais universais:

-Tenho outro desses aqui no meu bolso – eu puxei o segundo revólver estampado na camiseta e segurei firme – agora peguem esse aqui, virem de costas, e pulem aquele muro. Rápido, antes que alguém nos veja, ou pior, que eu mude de ideia.
– Aí, não vacila co’a gente não, hein? Pra que isso?
– Porque com uma garrafa de cachaça e uma faca de cortar legumes, vocês não colocam medo em ninguém. Vai, evaporem.

Não precisei repetir a ordem duas vezes. Precisei, porém, usar de todo meu auto controle para não resolver o problema com os dois aí mesmo. Também não me decidi sobre o porque de não ter feito aquilo de uma vez. De qualquer jeito, passei o breve trajeto até minha casa regozijando-me comigo mesmo, em partes por ter um final de semana inteiro e livre à minha frente.

O que fez-me perder o controle do riso em plena rua movimentada, porém, foi quando pensei nos dois trombadinhas. Eu poderia, sim, ter resolvido o problema na hora. Mas no fim seria melhor do jeito que fiz. Era vantajoso deixar que o problema se resolvesse sozinho, afinal, para esse tipo de peste um tiro só não basta.

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