Sobre Desculpas.

by F. Pergher

Olá, estimadíssimos leitores. Vou começar esse texto – como diz o título – dando uma grande e gorda desculpa esfarrapada para ainda não ter terminado de postar o maldito Escrito V e começar com os projetos menores. Estive ocupado. Fim. Agora, vou falar sobre outro tipo de desculpas aqui.

Algumas coisas chave me motivaram a escrever esse texto, que talvez tenha um caráter mais pessoal do que tudo o que eu já escrevi até agora. Algumas conversas, e coisas de pequena relevância, mas uma delas é fundamental de ser dita. O segundo semestre do ano de 2014, foi, para mim, um daqueles típicos momentos (talvez o mais forte em minha vida até agora) onde, perdoem o lugar comum, ou vai, ou racha.

Felizmente para mim, foi. Ainda estou ativo, inteiro, e sem nenhuma sequela além do aprendizado. Mas uma coisa da qual não consigo me abster de pensar é a seguinte: e se não tivesse sido assim? Se a coisa tivesse, em termos vulgares, rachado?

Em um caso extremo, eu provavelmente teria largado pela metade absolutamente tudo que me esforcei para dar um começo, porque aquilo supostamente me faria mal. Me livrando do que me faz mal, eu ficaria bem. Mas carregaria comigo um estigma totalmente arbitrário: o estigma do erro, do fracasso. Do fracasso de descobrir que algo nas minhas escolhas me incomodava, e tentar repará-las.

A parte interessante é que pensando nesse tipo de assunto, percebi de um jeito ridiculamente claro que superbajulamos o acerto, do resultado final de qualquer coisa que seja feita. Seus seis anos de faculdade nada valem sem um diploma. Nada do que você já fez tem algum valor formal se você não tiver levado-o a cabo inteiramente. Ignoramos totalmente o processo quando nos deparamos com o que parece um resultado ruim. Ora, aquilo aí na frente pode não ser um resultado, pode ser ainda parte de tal processo. Mesmo que ninguém saiba disso por enquanto.

Por si só isso já é um debate monstruoso, principalmente na área que estudo. Mas o ponto desse texto é outro. Acho que parte desse fetiche pelo resultado final (e, claro, para que ele não possua falhas), vem de uma dificuldade imensa de retomarmos o que aprendemos naquelas creches com professoras despreparadas e crianças de rosto sujo: pedir desculpas. Mas essa carência não é novidade. O fato é que existe outra ainda maior: aceitar pedidos de desculpa.

Acho que o único motivo para não se aceitar um pedido sincero de desculpa é uma ausência grave de autoperdão. Claro que não abordo casos específicos aqui, e também não considero perdoar um sinônimo de aceitar. Meu foco é especificamente quem ridiculariza o ato de se desculpar/pedir desculpas. De uma forma ou de outra: seja acreditando demais na própria razão (vulgo sendo cabeça dura), seja desqualificando a razão alheia.

Existe uma frase creditada a um homem qualquer, desses que passam batido pela humanidade, chamado Blaise Pascal. Essa frase diz o seguinte: “Não me envergonho de mudar de opinião, porque não me envergonho de pensar.”

Exatamente essa frase derrubou o que quer que fosse que antes impedira de me desculpar com pessoas. Seja por algum tipo de medo, seja por algum problema de autoestima mal resolvido. No fim, qualquer pessoa que se veja no direito de desqualificar alguma mudança de opinião ou aprendizado, mesmo que provenientes de um erro que seja, só está provando duas coisas. A primeira é que ela mesma é incapaz de aprender com erros, talvez sequer o seja de aprender. A segunda é que de todas as pessoas no mundo, ela está entre as últimas que tem alguma relevância para falar sobre.

Esse texto tem um teor bem diferente do que costumo publicar, mas achei interessante postar aqui. Obviamente apenas como um complemento à minha desculpa capenga. Prometo que até sexta-feira que vem (dia 27/03) já estarão no ar os posts faltantes do Escrito V, e talvez algo novo. Sem desculpas dessa vez.

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