Projeto sem título (5)

by F. Pergher

Debaixo da sombra da pequena árvore, continua contemplando o céu. As estranhas formações nebulosas agora agrupam-se de forma mais densa do que antes vira. Vívidos no ambiente que deixara para trás, embora não em sua memória, ainda estão o cheiro da poeira quando torna-se lama e o frescor do campo quando torna-se um charco. A luz solar projeta-se angularmente, tanto que consegue observar o céu sem que seus raios importunem.

O sono toma conta de si, e já nem mais lembra onde se encontra quando a água começa a tocar suavemente sua face. Percebendo o falso abrigo onde encontra-se, ele corre de volta à floresta, inadvertidamente para o lado oposto do qual ele viera. A vegetação à sua frente agora mostra-se cerrada a ponto de lembrar uma caverna escura antes de um bosque.

Tão pouca é a luz que penetra seus confins que, sob a baixa luminosidade que encontra-se, é impossível adentrá-los. Espera até que o sol volte a brilhar, embora em sua memória agora não existe algo como um sol. Tudo parece ser inundado pelos fluxos torrenciais que envolvem-no, junto à floresta, à clareira, à planta sob a qual repousara. O único chão que sequer uma gota alcança é aquele abaixo de seus pés, protegido pela imensa cobertura vegetal.

Abisma-se com a quantidade de água. Se tivesse dormido por poucos segundos a mais, estaria em meio a uma grande poça de lama aguada. Agora, as gotas de chuva cortavam sua visão como uma espécie de cegueira parcial, ofuscando-lhe a floresta de onde saíra e tornando vibrante a pequena árvore que deixara para trás. De dentro do pequeno matagal, um infindável breu parecia irradiar para fora, tal como fariam raios de luz.

Antes que pudesse deixar seus pensamentos de lado, um pouco mais era visível dentro da espessa floresta. Seu caminho era bloqueado por galhos e folhagens estoicamente rastejantes a seus pés. Perceberia mais tarde as dificuldades do caminho, por hora concentrava-se apenas na variável vibração dos ramos da pequena árvore.

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